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História de Tapiratiba
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Em seguida publicamos um texto de grande valor histórico para Tapiratiba. Neste texto encontramos a narraçao do cotidiano da cidade nas décadas de 20 e 30 descrita sob a otica de Oswaldo Rehder, uma pessoa que viveu e participou ativamente de todos estes movimentos sociais.

O texto foi escrito no ano de 1982, quando Oswaldo estava com a idade de noventa anos por seu filho Wladmir Rehder.


"NOTÍCIAS SOBRE OSWALDO REHDER AOS NOVENTA ANOS"

De Mocóca para São Paulo e depois Tapiratiba
"
A família de meus pais deixou Mocóca, a convite de uma parente  (A parente aqui referida sería uma irmã de Oswaldo que também se chamava Hilda) recém formada em odontologia que precisava de alguém, com prática, para ajudá-la. Meu pai aceitou a sociedade. Ficou pouco tempo em São Paulo porque adoeceu e pela primeira vez viu a morte de perto, com risco de tuberculose. A conselho médico deixou São Paulo, mudando-se com a família para Tapiratiba, onde já residia meu avô materno.

A Estrada de Ferro
Meu avô, Manuel Christovam, português, e minha vó, Maria Piazza, italiana de Veneza, deixaram Mocóca a contrato de meu avô para a construção de uma estrada de ferro, de Itaiquara a Caconde, passando por Tapiratiba. Era uma Companhia Condeixa, de propriedade de seu Joãozinho, de Itaiquara; Juca Soares, das Areias e Joaquim José, do Can-can. Meu avô cortou morros, dinamitou pedreiras, cortou aterros, aterrou e abriu o leito da estrada até o Can-can. Os trilhos chegaram a Tapiratiba, onde o trem foi festivamente recebido. Ainda hoje há, no antigo leito alguns pontilhões de pedra, e logo acima da cachoeira do Soledade, o maior e mais alto. Era uma obra de pioneirismo, que contudo, não teve prosseguimento a mercê das adversas condições tecnológicas da época.

Mas ainda lá estão os marcos daquele pioneirismo, nos cortes feitos nos morros e nos pontilhões derrubados pelo tempo, assinalando a passagem de uma época recente quando Tapiratiba era sertão.

Abandonado o empreendimento ambicioso e pioneiro, meu avô Manuel então dedicou-se à agricultura e ao comércio. No comércio perdeu muito. Minha vó encarregava-se das cobranças dos fiados, sem sucesso. Não obstante, ao morrer meu avô deixou em Tapiratiba muitas propriedades.

Volta a São Paulo
Em Tapiratiba nasceu a Zelinha. A situação financeira não ia bem, e meu pai, ambicioso, resolveu-se de novo por São Paulo apesar de dar-se mal com o clima e a garoa da capital. Minha mãe estava grávida de novo. Foram residir na rua Jolí, número 8, no Brás, próximo da Celso Garcia, então centro de médicos e profissionais liberais. Nascí na rua Jolí, numa terça-feira de carnaval, enquanto a folia campeava na avenida. Era 1920. Meu avô paterno, Germano Rehder, naquele ano recebeu uma pequena herança1, parte que lhe coube na fazenda de seu pai, no sertão, proximidades de Biriguí. Achou melhor dividir a herança entre os filhos. Reuniu-os e todos foram passar um mês de férias no Guarujá, toda a família e alguns parentes. A herança acabou. Meu avô era opiniático. Marcava um rumo e não saia dele. Trabalhava em montagem e mecânicas de máquinas de beneficiar café, em que era um dos raros especialistas. Para distrair-se trabalhava em marcenaria artesanal2 e fabricava brinquedos mecânicos para presentear os netos. Fazia móveis perfeitos a mão. Na casa da Nilde, em Tapiratiba há uma mobília de sala feita por ele, de cosntrução perfeita. E já está com uns cinquenta anos de uso.

O pai de meu avô era alemão de Holstein. Imigrou para o Brasil, via Hamburgo, com toda a família e alguns amigos, há cerca de 130 anos. Fixou-se em São João da Boa Vista junto a seus irmãos, onde compraram fazendas e de onde partiram para o Brasil seus numerosos descendentes. Há em São João, Campinas, Rio Claro, São Carlos, Americana e São Paulo muitos Rehder, todos do mesmo tronco familiar. Conta-se que morreu sozinho em Biriguí.3
Nicolau Rehder, além de fazendeiro, empreitou dois ramais de estrada de ferro na região de São João, e na inauguração desses ramais, hospedou em sua casa4 o imperador D. Pedro II. Minha avó Ordália recordava-se muito dessa recepção e do imperador e comitiva. O pai dessa avó,  João de Aguiar Taques, conhecido também por João Bicudo porque tinha nariz avantajado e adunco, pertencia à tradicional família Taques, de Pedro Taques, o bandeirante. E minha vó também se orgulhava disso.
João Bicudo, avô de meu pai era escultor em madeira, santeiro. Era também modelador em argila e outros materiais. Meu pai, menino, aprendeu com ele, apenas um pouco, essa arte, o que lhe serviu mais tarde, quando contruiu cenários para teatro, máscaras moldadas em papel “maché” sobre argila e bonecos carnavalescos. Construía, pintava, dava acabamento. Aprendí com ele a fazer máscaras: toma-se a argila bem batida, de fazer tijolos ou telha. Molda-se meia cabeça, no formato desejado e do tamanho conveniente. Deixa-se secar ao molde do sol. Seco o molde, besunta-se com o sebo de boi derretido e deixa-se secar bem. Pronto o molde, molha-se uma quantidade de papel jornal picado em pedaços pequenos. Faz-se uma cola de farinha de trigo. Passa-se cada pedacinho de papelna cola e aplica-se no molde, modelando-se bem as reentrâncias e saliências da figura, até obter-se uma espessura de massa de papel conveniente. Na última camada, usa-se papel branco. Deixa-se secar ao sol. Bem seco o papel, destaca-se a máscara e pinta-se. As tintas eram obtidas de papel de seda molhado. Tudo muito simples.

Grupo Dramático Amor à Arte
Meu pai organizou em Tapiratiba o “Grupo Dramático Amor à Arte” que apresentou muitos espetáculos, todos beneficientes. Ele era o ensaiador, o diretor cênico, o cenógrafo. Compunham o elenco: Durvalina Natalli e Reny Nabuco, atrizes. Eram atores: Francisco Maria de Araújo Nabuco, tabelião; Radamés Natalli, barbeiro, meu tio; Avelino Ribeiro, dentista; Leonel Tardelli, ferreiro; Joaquim Christovam, comerciante, meu tio; Francisco Tranquilini, o Chicão, seleiro; João Meira Pires de Aguiar, professor e primo de meu pai. Ernesto Tranquilini, comerciante, fazendeiro e líder político local, era o ponto.  Participavam ainda, do teatro, a orquestra dos irmãos Félix: João, Vicente e Victor, que mais denominou-se “Jazz Band Juca Pato”. Victor Félix tornou-se um competente e virtuoso trompetista e saxofonista, daqueles que, no baile, deixava-se de dançar para ouvir, e depois aplaudir.
Logo depois das férias no Guarujá, meu pai ficou doente de novo. Teve grave problema digestivo e emagreceu. Voltou a Tapiratiba, deixou a família instalada e retornou a São Paulo para tratamento. Esteve mal. Superou a moléstia, retornou a Tapiratiba e ao trabalho, e não saiu mais de lá.

1 Segundo edição do jornal O Município de São João da Boa Vista; Nicolau Rehder faleceu de forma trágica em 1909 em sua fazenda na região sertaneja do estado. Sua esposa Augusta Seifert faleceu em 1913 em São João da Boa Vista. *Talvez o tempo para vender essa propriedade e tomar os devidos cuidados legais tenha levado a herança a ser partilhada finalmente no ano de 1920.

2 Vale lembrar que o Avô de Germano, Claus Rehder, era na Alemanha (segundo o censo de 1835 da Vila de Winseldorf) além de Käthner (fazendeiro), também marceneiro.  

3 Nicolau Rehder chegou ao Brasil com seus pais e irmãos em 10 de Maio de 1852 no veleiro Emília. Especializou-se no ramo de construção, chegando a construir muitos prédios históricos em SJBV, além do ramal de Caldas da antiga Cia Mogiana de Estrada de Ferros. Conta-se que foi responsável pela vinda de cerca de 100 famílias alemãs e suecas para a região. Durante suas muitas viagens a Alemanha, teve muitos prejuízos, e por isso resolveu vender o seus bens em SJBV. Comprou uma fazenda na região de Biriguí, onde tentou fundar uma nova colônia para imigrantes europeus. Sua trajetória é lembrada no livro  Die Deutschen in São Paulo do Instituto Hans Staden.

4 Essa casa é o atual prédio da Arquidiocese de São João da Boa Vista. Foi doada a Igreja Católica. Nicolau teve 2 de seus filhos casados com os filhos do Padre José Valeriano. Seu filho Germano era casado com Ordália, cujo o pai era fabricante de santos.

Seu Joãozinho
Tapiratiba era distrito de Caconde. A fazenda Itaiquara estava crescendo de um pequeno engenho de cana, para a grande empresa agro-industrial que é hoje, gigantesco empreendimento de um só homem: Seu Joãozinho, João Gomes, Coronel João Gomes, João Baptista de Lima Figueiredo. Para nós, que o conhecemos, será sempre seu Joãozinho, homem simples e bom, correto. Amigo de meus pais. Tinha duas características personalíssimas: invariávelmente tirava o chapéu aos que o cumprimentavam, até ao mais humilde colono. Tinha fala mansa, simpática, sucedendo sempre a cada duas ou três palavras com um sexto vocal difícil de reproduzir-se: “hê,hê”, com “h” aspirado.

A fazenda Itaiquara crescia, desenvolvía-se. Se Joãozinho e outros fazendeiros, sob sua liderança política, trataram de desmembrar administrativamente o distrito, de Caconde.  Foi um trabalho político que demandou tempo, pois a criação de município dependia da renda local, principalmente; da coordenação política e da violenta oposição do município de origem, que perdia espaço e rendimentos. Deu-se a criação do município de Tapiratiba por decreto publicado no dia 18 de Dezembro de 1928. Seu Joãozinho estava vitorioso e sua liderança política era definitiva, mantendo-se até a sua morte, aos 83 anos de idade.

Primeiro prefeito
O primeiro prefeito foi Júlio Boechat, em 1929, que de acordo com Seu Joãozinho nomeou para Tesoureiro e Secretário da Prefeitura a meu pai, acumulando com a função de secretário da Câmara Municipal. Para enfronhar-se nos procedimentos municipalistas, meu pai fez um estágio de uma semana na Prefeitura de Mocóca, assumindo a seguir e permanecendo até aposentar-se. Obteve dos sucessivos prefeitos aprovação e consideração funcional, com duas excessões de prefeitos que o perseguiram e tentaram exonerá-lo. A todas as pressões sobreviveu no cargo, graças a sua honradez e pertinácia na luta, além de apoio não declarado de Seu Joãozinho, que era o político que fazia nomear e exonerar prefeitos e que ainda os fez eleger pelo voto do povo, quando há eleições.

Mas como? Se está morto. É simples. Seu Joãozinho morreu, mas ficou em Itaiquara sua filosofia. Quem elege prefeitos hoje é Itaiquara, na pessoa de seu genro, Dr. João Bravo Caldeira, herdeiro incontestável de todo o seu prestígio político e de sua filosofia empresarial, humanitária e progressista.
O prestígio de Seu  Joãzinho na cidade, ele o manteve com trabalho, tendo sempre lutado para dotar Tapiratiba de melhores meios oficiais, estaduais e federais de sobrevivência e progresso. Na cidade era porta-voz de Seu Joãozinho, Ernesto Tranquilini, comerciante e fazendeiro, amigo de todos. Não era orador. Ao contrário, tinha um falar baixo e sincopado. Quando perguntei ao meu pai como e em quem circunstâncias ele se tornara orador, ele respondeu: “por necessidade”. Não havia mesmo outro e ele era Secretário da Prefeitura, eventual substituto do Prefeito. Falava em público com entusiasmo. Inflamado, dava-se ao jogo de idéias e palavras com toda a propriedade. Prendia a atenção dos ouvintes. Falava em todas as festas, homenagens, inaugurações. Fez bonito discurso ao Presidente Café Filho, levado a Tapiratiba por seu Joãozinho. Maçon, em nome da loja local, fazia discursos. Era uma espécie de orador oficial da cidade. Recentemente foi convidado para discursar no lançamento de uma sociedade musical. Com 90 anos, se lhe pedirem, falará em público, ainda com voz forte e pensamento lúcido.


O primeiro jornal de Tapiratiba
Por necessidade tornou-se também jornalista. A prefeitura subvencionava o jornal local, “O Tapiratiba”, mensário impresso na tipografia do Zé Magri. Meu pai era o redator, o secretário, o paginador e o revisor. Uma vez, a população preparou uma grande festa religiosa de Natal, com o padre de Caconde comprometido para rezar a Missa do Galo. Tapiratiba não tinha padre. Pois então aconteceu que o padre de Caconde não compareceu e nem deu satisfações: “O Tapiratiba” seguinte publicou um diatribe contra o padre. Ernesto Tranquilini correu e apreendeu a edição, mas alguns exemplares já haviam saído da tipografia e o público tomou conhecimento e aplaudiu. Então, para desagravo do padre, meu pai foi afastado da direção do jornal, que em seguida deixou de circular. Mas depois voltou e ainda existe. É um jornal com fôlego de sete gatos. Morre e revive há mais de cinquenta anos.


O Cinema
Antes do jornal havia o teatro. Depois do teatro o cinema, sim, porque o primeiro cinema de Tapiratiba foi instalado por meu pai, em sociedade com seu compadre José Quental, comerciante dos mais fortes na cidade, bonachão e sempre bem humorado. Sem visar lucros os dois embarcaram na máquina do progresso. O técnico-maquinista era meu pai e o bilheteiro e tesoureiro, o sócio. O cinema mudo funcionou um tempo, com a orquestra dos irmão Félix executando na frente da tela, as valsinhas da época. Depois Seu Joãozinho comprou aparelhamento sonoro, para Itaiquara. Mas não funcionava direito e era complicado, sistema Vitafone. Deu o aparelho ao meu pai que em seguida foi a São Paulo e, no Cine República, único com o mesmo sistema, trabalhou dois dias para aprender. Voltou, desmontou a máquina e montou-a de novo, de acordo com o que aprendeu no república. Dai em diante funcionou bem. As fitas vinham em latas, com as partes, e em cada lata vinha um disco com a sonorização. De vez em quando a fita partia e a tela ficava branca. Mas o disco continuava. Feita a emenda rapidíssima da fita, voltava a imagem que nada tinha a ver com o som. O mocinho estava beijando a mocinha e o som era de uma bomba, ou de um tiro. Era muito engraçado. Mas na parte seguinte, o som correspondia à imagem. Depois, outra parte, outra, etc. Quanto mais partes tivesse o filme e, sempre em destaque, o número de partes. O anunciador mais apreciado era o Chico Doceiro, com uma campana de gramofone em frente à boca, gritando para a população a excelência da fita. Perguntado pelas senhoras e moças, dava detalhes inventados sobre o filme, a partir dos “quadrinhos” expostos na porta do cinema. Sabia fazer propaganda. Ele tinha interesse, pois fazia comércio de seus doces no cinema, antes e no intervalo da projeção.
 

Os Carnavais
Meu pai era o promotor dos carnavais tapiratibenses. Todos os anos fazia uma lista de contribuintes para o pagamento da orquestra, contratada sempre em São Paulo. Quem desejasse contribuir para a animação da cidade assinava vinte mil réis. Todos ajudavam, menos o Candinho Fanhoso, português de uma perna só e muletas, que por brincadeira e sovinice assinava um tostão.
Os bailes era animadíssimos, com muita gente das cidades vizinhas. Muita alegria, muito confete e lança-perfume, serpentinas, fantasias, cordões e blocos. E algumas brigas, como até hoje. Mas nada sério. Passado o carnaval, não havia ressentimento. 

Dr. João
Depois criou-se o nosso Clube 28 de Dezembro, onde os carnavais continuaram, na sede quase toda construída pela prefeitura e auxílio do Dr. João, de Itaiquara, então deputado de muito prestígio. Dr. João continuou o trabalho de Seu Joãozinho na melhoria da cidade, e fez mais: água encanada e tratada, calçamento, esgotos, prédio para o grupo escolar, posto de saúde. Incrementou um programa de bolsas de estudos na Fazenda Itaiquara que proporcionou estudos de todos os graus e moça e rapazes de Tapiratiba. Há dezenas deles que concluíram cursos superiores e nunca ninguém ficou sabendo quais são, pela propaganda de Itaiquara. Se alguém soube, o próprio bolsista contou, ou sua família.

Seu Joãozinho criou Itaiquara, Dr. João, médico, tornou-se continuador da obra, modernizou-a, implantou uma fábrica de fermento que é conhecido no Brasil inteiro. Expandiu a indústria e montou novas usinas. Transformou Itaiquara num império, com visão empresarial de largo espectro. Continuando na mesma linha filosófica de Seu Joãozinho, ele valoriza o homem, o trabalhador, como elemento importante da indústria. Acima de tudo, Itaiquara continua a pertencer a Tapiratiba, como grande contribuinte que deu e continua promovendo os meios dela ser uma cidade limpa, tranquila e bonita

Entre as muitas contribuições do Dr. João a Tapiratiba, a mais importante foi a criação do ginásio e escola normal. Nós, a família de meu pai, respeitamos e admiramos este homem, que, vindo da cidade grande, soube ver e notar Tapiratiba, um vilarejo desamparado, pelo qual ele lutou com armas políticas, promovendo sua notável situação atual, e, como empresário, criando empregos e melhores condições de trabalho aos tapiratibenses. Se Itaiquara tivesse sido adquirida por um grupo empresarial sem vínculo sentimental à cidade, continuaria desamparada e desprotegida. Devemos a Seu Joãozinho a criação de Tapiratiba, com município a ao Dr. João, como cidade onde a vida é aprazível. Infelizmente, para Tapiratiba e todos nós, Dr. João Bravo Caldeira veio a falecer em São Paulo, em 6 de Janeiro de 1982."

Wladimir Rehder  - Março de 1982

Agradecemos também aos parentes de Wladmir que nos proporcionaram o texto já digitalizado e permitiram a publicaçao do mesmo neste site.

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